Cenário eleitoral apertado e disputas internas pressionam distritais a migrarem de legenda; MDB, com maior bancada, é o mais ameaçado
Os partidos que formam a base aliada do governador Ibaneis Rocha [MDB] no Distrito Federal enfrentam um risco iminente: uma debandada de deputados distritais antes das eleições de 2026. PP, MDB e PL têm quadros tensionados por cálculos eleitorais adversos e disputas internas – e a movimentação nos bastidores já começou.
MDB: o mais frágil, com seis deputados em risco
O Movimento Democrático Brasileiro [MDB], maior bancada da situação na CLDF [6 deputados], é o que mais preocupa os estrategistas da agremiação. A legenda pode perder ao menos dois ou três nomes caso não consiga viabilizar reeleições. A ordem de votação em 2022 revela quem está mais vulnerável:
- Daniel Donizet – 33.573 votos [o mais seguro]
- Jaqueline Silva – 26.452 votos
- Iolando – 20.757 votos
- Hermeto – 20.332 votos
- Doutora Jane – 19.006 votos [a mais pressionada]
- Wellington Luiz – 16.933 votos [o mais pressionado]
Fontes da bancada emedebista afirmam que Wellington Luiz e Doutora Jane podem deixar o partido se não houver garantia de de reeleição. “O MDB não tem como manter seis candidaturas competitivas eleitas. Alguém vai ter que pular fora”, diz um deputado sob anonimato.
PP: briga interna e só duas vagas seguras
O Progressistas [PP], com apenas dois distritais: Pastor Daniel de Castro [20.402 votos] e Pepa [15.393 votos] vive uma guerra silenciosa. Nemer, que recebeu [46.151 votos] como candidato a federal em 2022, é cotado para tentar uma vaga na Câmara Legislativa em 2026 – o que abriria um racha e debandada de alguém.
Mas a conta não fecha: o partido dificilmente elegerá três distritais, e a disputa entre Pastor Daniel e Pepa pode forçar um deles a sair. “Se o Nemer for para distrital, o PP só segura dois. Alguém vai ter que mudar de legenda”, avaliou um aliado do governador que tem feito as contas eleitorais.
PL: Manzoni segura bancada, mas Roriz e Roosevelt ficam no fio
O Partido Liberal [PL], da base bolsonarista, tem três distritais:
- Thiago Manzoni – 25.554 votos [o mais seguro]
- Joaquim Roriz Neto – 21.057 votos
- Roosevelt – 20.223 votos
Manzoni já sinalizou que buscará a reeleição, e o PL deve eleger apenas dois. Roriz Neto carrega consigo a herança política da família. Roosevelt, porém, pode está no limbo com a possibilidade de migrar se o partido priorizar apenas duas candidaturas.
O jogo das migrações
A janela partidária [período para trocas de legenda] ainda não está aberta, mas o lobby de partidos como PSD, União Brasil e Republicanos já começou e podem absorver os descontentes.
“Quem ficar sem espaço no MDB, PP ou PL não vai esperar morrer na praia. A debandada é inevitável”, resume a cientista política Raquel Arraes da UnB.
Enquanto isso, os distritais avaliam silenciosamente seus próximos passos.