Ucrânia marca três anos de resistência à invasão russa com avanços militares e perdas históricas ao inimigo

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Tetiana Dolganova

Kiev, Ucrânia — Nesta sexta-feira (24), a Ucrânia relembra os três anos do início da invasão em larga escala pela Rússia, iniciada em 24 de fevereiro de 2022. Em discurso oficial, o Comandante-em-Chefe das Forças Armadas ucranianas destacou os avanços militares do país, as perdas russas e a resiliência de uma nação que, segundo ele, “desafia expectativas” desde os primeiros dias do conflito. 

A guerra, que entrou em um novo estágio em 2022, é descrita pelas autoridades ucranianas como uma continuação da luta pela independência iniciada há 11 anos, após a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014. “O mundo não acreditava que resistiríamos, mas aqui estamos”, afirmou o Comandante-em-Chefe, em referência à defesa de Kiev, que frustrou os planos russos de tomar a capital “em três dias”. 

Dados divulgados pelo governo ucraniano indicam que, nos últimos três anos, as Forças de Defesa recuperaram mais de 50% do território ocupado após fevereiro de 2022, incluindo regiões estratégicas como o norte do país, Kharkiv e Kherson. Do lado russo, as perdas seriam históricas: quase 870 mil soldados e oficiais (sendo 250 mil mortos), além de 10,1 mil tanques, 21,1 mil veículos blindados e 23,3 mil sistemas de artilharia destruídos. 

A Ucrânia atribui parte de seu sucesso à guerra assimétrica, com operações como o ataque à região de Kursk, na Rússia, que impediu avanços inimigos em Sumy e Kharkiv. Pela primeira vez em mais de uma década, o país levou combates em larga escala ao território russo, mantendo o controle de “centenas de quilômetros quadrados” em Kursk. 

A tecnologia também se tornou um pilar: o país foi o primeiro no mundo a criar Forças de Sistemas de Drones, que desempenham papel central nos ataques a alvos estratégicos dentro da Rússia, como depósitos de armas, aeródromos e infraestrutura energética. 

A frota russa no Mar Negro, outrora uma ameaça, foi reduzida a “remanescentes encurralados” perto de Novorossiysk, segundo o discurso. O Comandante-em-Chefe agradeceu o apoio ocidental, mas enfatizou: “Nosso principal aliado é nosso próprio povo e suas Forças Armadas”. 

A homenagem aos mortos ecoou como um lembrete do preço da guerra: mais de 100 mil combatentes ucranianos foram mortos desde 2014, segundo estimativas independentes. O Comandante prometeu “vingar cada vida perdida” e destacou a resistência histórica de um povo que sobreviveu a duas guerras mundiais, o Holodomor (fome artificial de 1932-33) e décadas de opressão soviética. 

Enquanto a Ucrânia inicia o quarto ano de guerra, a reorganização de suas Forças Armadas e a pressão por mais apoio militar ocidental seguem como desafios. “Somos resilientes, fortes e unidos. Resistiremos”, concluiu o Comandante, encerrando com o lema nacional: “Glória à Ucrânia! Glória aos heróis!”. 

*Com informações de agências internacionais e governo ucraniano.